Biologia da Conservação

Biologia da Conservação: Não é só pintar de verde!

Nas últimas décadas, a perda de biodiversidade tem chamado a atenção de cientistas das mais diversas áreas a fim de responder algumas perguntas como:

O que conservar? Onde conservar? Qual a melhor maneira de conservar? E para responder estas questões, ainda há um longo caminho para se trilhar, a Biologia da Conservação é uma ciência em construção e veremos aqui do que se trata este assunto tão especial.

Ainda me lembro das aulas de Ecologia de Populações e Ecossistemas ministradas pelo Prof. Ivan Schiavini nas quais ele dizia insistentemente que “recuperar áreas degradadas não é pintar de verde, deve-se atentar para a função ecológica”. Esta foi uma das preocupações de ecólogos, taxonomistas, geneticistas bem como biólogos de zoológicos e jardins botânicos, experts em conservação, diante da crise da biodiversidade originada na pressão exercida pelo Homem.  Surgiu então a Biologia da Conservação para lidar de forma abrangente com estas questões. Mas afinal do que se trata este termo?

A Biologia da Conservação é uma ciência multidisciplinar que surgiu em resposta à crise com a qual a diversidade biológica se confronta atualmente. Possui especialmente dois objetivos: entender os efeitos da atividade humana nas espécies, comunidades e ecossistemas, e, segundo, desenvolver abordagens práticas para prevenir a extinção de espécies e, se possível, reintegrar as espécies ameaçadas ao seu ecossistema funcional. (PRIMACK, R. B.; RODRIGUES, E., 2005). Tratar das sérias ameaças à diversidade biológica primando a preservação a longo prazo, uma vez que outras disciplinas se ocupam com questões econômicas e de recreação em um grupo de espécies específicas colocando em segundo plano todas as outras espécies encontradas nas comunidades.

Não há uma preocupação em uma espécie específica, aqui há um contexto e implicações, se pensa na comunidade, no ecossistema e interações desta espécie com as demais, na função ecológica principalmente. Por exemplo, antes de imaginar a problemática de uma ou outra espécie, há primeiro o grande problema da conversão das florestas tropicais em fragmentos florestais onde ocorre perda de espécies, alteração da composição florística, da interação entre polinizadores, dispersores e planta, (AIZEN & FEINSINGER 1994; SANTOS & TELLERÍA 1994; GALETTI et al. 2003) acarretando a perda de espécies da fauna.

Há ainda, outras consequências dos trechos compostos por fragmentos e todas as características envolvendo o entorno, bordas e corredores ecológicos que implicam na quantidade de espécies que irão sobreviver em um fragmento (SAUNDERS et al. 1991; VIANA et al. 1992). A fragmentação envolve todo um ecossistema, causando perda de diversas comunidades e é apenas um dos problemas da perda de biodiversidade. Segundo (PRIMACK, R. B.; RODRIGUES, E., 2005) há seis causas de extinção: Destruição; Fragmentação; Degradação do habitat (incluindo poluição); Superexploração das espécies para uso humano; Introdução de espécies exóticas e o Aumento de ocorrência de doenças. Todas elas são causadas pelo uso crescente dos recursos naturais pelo homem em crescente expansão exponencial e você deve se atentar para esta questão.

Para que a Biologia da Conservação seja mais efetiva o biólogo deve ter função ativa na manutenção da diversidade biológica em todos os aspectos, desde a espécie, se preocupando com a variabilidade genética, comunidades e funções ecossistêmicas, mas primordialmente na educação. Na esfera política, dentro da sala de aula bem com o maior número de pessoas a sua volta para as pequenas atitudes do dia a dia que levam a perda de diversidade biológica.

Deve também se engajarem em pesquisas mantendo o assunto visível na comunidade científica, abrindo campo para mais estudos, pesquisadores e parcerias com as diversas áreas que permeiam o assunto assim como se atentarem para novas atitudes como a Agricultura Sintrópica.


REFERÊNCIAS:

PRIMACK, R.B.; RODRIGUES, E. 2005. Biologia da Conservação. Londrina: Editora Planta.

AIZEN & FEINSINGER 1994. Forest fragmentation, pollination, and plant reproduction in Chaco dry forest, Argentina.

SANTOS, T. & TELLERIA, J.L. 1994. Influence of forest fragmentation on seed consumption and dispersal of spanish juniper Juniperus thurifera.

GALLETI, M.; ALVES-COSTA, C.P. & CAZETTA, E. 2003. Effects of forest fragmentation, anthropogenic edges and fruit colour on the consumption of ornithocoric fruits.

SAUNDERS, D.A.; HOBBS, R.J. & MARGULES, C.R. 1991. Biological consequences of ecosystem fragmentation: a review.

VIANA, V.M.; TABANEZ, A.A.J. & MARTINEZ, J.L.A. 1992. Restauração e manejo de fragmentos florestais.

Sobre o Autor

Marco Aurélio Gabriel