Sustentabilidade

Será que os cuidados ambientais fazem sentido neste século?

Com a revolução industrial, acontecendo primeiramente no século XVIII e XIX, grandes alterações de origem antrópica ocorreram no ambiente.

Nos séculos anteriores XIV a XVII deu início ao antropocentrismo, ou seja, a espécie humana sendo o centro de toda a atenção. O que antes era (pelo que compreendi no artigo de Possamai), centralizada em Deus, passou a ser voltada a vontade humana.  Nesta teoria houve a desvalorização das outras espécies no planeta e a degradação ambiental. Pois, para esse pensamento, a natureza existe para ser usada pelos seres humanos. O qual tem poder sobre ela e consequentemente deveria ter responsabilidade também. É interessante lembrar da frase: “Com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades”.

Vale observar que o século XIV, bem no início do antropocentrismo, é marcado pela crise económica e social. Ocorrendo fome, devido à escassez na produção de alimentos que teria sido ocasionado pelas mortes de grande parte da população pelas epidemias da peste negra entre outras; Como também as alterações climáticas não colaborando para a produção agrícola; E a saída das pessoas do campo para fazer suas vidas na cidade.  Ou seja, diminuindo ainda mais a produção e a mão de obra no campo.

Para melhor compreender:

XIV: Mudanças climáticas – Falta de alimentos (fome) – Se espalham as epidemias – Mortes – Pessoas indo para as grandes cidades – Escassez de pessoas na produção no campo.

O fato é que nosso planeta sempre teve registos de mudanças climáticas. E o que ocorreu neste século só deu o início ao próximo passo. A população na cidade aumentava e teriam que ter produção em massa para conseguir alcançar a demanda. Chegando ao século XVIII com o uso de máquinas substituindo o trabalho manual. Começando assim a Revolução Industrial, que a principio as máquinas eram de forma mecânica, depois passou a ser a vapor, mais tarde a utilização de energia elétrica e os combustíveis derivados do petróleo.

Diante disso, houve a contaminação do ar ocasionado pela liberação de fumaça com produtos químicos vindos das indústrias. Conhecido como “smog” (smoke = fumaça + fog = neblina).  Isso ocasiona sérios danos ao meio ambiente e tudo que nele habita. Inclusive a nossa saúde, pois de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) cerca de 2 milhões de pessoas morrem em todo mundo por causa de problemas cardíacos e respiratórios devido a má qualidade do ar.

Se for correto esse pensamento do homem como o centro de tudo, já que há muitos que pensam assim, deixo para você querido leitor do blog Biologia para Biólogos refletirem no que atualmente estamos vivenciando. Além da escassez de alguns recursos naturais imprescindíveis para a vida na Terra, como um exemplo a água. Temos recebido notícias de que os desastres naturais estão cada vez mais intensos devido ao aquecimento global que é resultado da poluição, ocasionada pela falta de cuidado com os ecossistemas.

Ver: 

O Furacão Irma ganhou força por causa do aquecimento global

Oceanos mais quentes, furacões mais violentos

Linha do tempo entre o século XIX e XXI.


*Dados coletados somente no território dos Estados Unidos da AméricaAnalise da ocorrência de furacões e a medida de intensidade classificada como Categoria ou Saffir-Simpson no tempo de 102 anos.

Analise da ocorrência de furacões e a medida de intensidade classificada como Categoria ou Saffir-Simpson no tempo de 62 anos.

Cientistas especializados nos estudos de meteorologia tem se dedicado a analisar os registros de furacões e a temperatura da superfície dos oceanos. Tentando compreender se há relação, e assim, ter resposta para teoria do aquecimento global está influenciando a intensidade dos furacões.

Os resultados observados, mesmo não tendo exatamente o número de furacões em todo o mundo no período anterior a 1970, leva a confirmação de que o aumento da temperatura na Terra possibilita a formação de furacões mais intensos, visto que o principal elemento é água aquecida. Não é fácil afirmar se a frequência irá aumentar, pois nos registros há períodos de aumentos de furacões e outros uma temporada tranquila. No entanto os estudos indicam furacões com mais intensidades no futuro. Como na linha do tempo mostra em períodos mais recentes o aumento de furacões na categoria 4 e 5.

Muitos problemas ocasionados à natureza, e a nós mesmo, se deve a consequência do antropocentrismo. Esse talvez seja o problema principal. O ser humano não consegue relacionar seu papel no mundo e se coloca no nível demasiado superior. No entanto, atualmente as pessoas começaram a reconhecer o valor da natureza, dando o primeiro passo para colocar equilíbrio no que antes elas mesmas haviam desequilibrados com as suas ações que desvalorizavam a natureza.

Necessitamos de desenvolvimento, mas que seja de forma sustentável. Nós devemos está atento aos nossos atos e as consequências que deles derivam. As atividades no nosso planeta não iriam aumentar tanto o nível de CO2 tão rapidamente se não fosse certas ações que fazemos e assim provocando o aumento na liberação desse gás causador da poluição atmosférica, atribuindo para o aquecimento global e resultando em diversos desastres ambientais.

Questões ambientais devem ser levadas a sério, assim como as questões sociais entre outras. Temos o dever de ter responsabilidade com toda a biodiversidade, independente de ser humana ou não. Porque até mesmo o cuidado com um simples organismo ajuda na existência da nossa espécie.


Referência

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Sobre o Autor

Vanessa Roberta

Sou bióloga e curso especialização em Gestão, Licenciamento e Auditoria Ambiental. A importância de escrever pro Biologia Para Biólogos para mim é poder compartilhar um pouco dos aprendizados que tive e continuo tendo como bióloga.