Biologia Marinha

Doenças de Corais – Parte 1

Costumamos pensar nos corais como grandes estruturas de variadas cores e formas. Porém eles também são sensíveis às variações do ambiente e também podem sofrer com doenças.

Não é novidade que desequilíbrios ambientais causam doenças e destruição para a nossa natureza. E isso também se aplica aos corais. Assim como outros seres vivos eles são sensíveis às mudanças do ambiente e muitas delas podem ser a sentença de morte de muitos deles.

Aquecimento das algas, mudanças no PH, mudanças climáticas, derramamentos químicos, efluentes humanos, contato e influência humana são alguns dos fatores que causam estresse nos corais, deixando-os propensos a instalação de outros agentes patogênicos como fungos, vírus e bactérias.

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Além disso, todo esse estresse sofrido pelos corais podem fazer com que eles ejetem as algas simbióticas que produzem alimento para o coral, enfraquecendo-os e deixando ainda mais vulneráveis. A esse fenômeno damos o nome de Branqueamento de Corais. Aquecimento das águas é o principal fator para o desenvolvimento do branqueamento, porém isso não é uma doença.

Muitos cientistas afirmam que quando a água esfriar, voltar a sua temperatura normal, as algas voltam e o coral novamente se recupera. No entanto alguns corais que já estão totalmente esbranquiçados podem não suportar o tempo sem alimento e morrem.

Sem mais demora, vamos às doenças:

1. White Disease Band (WBD)

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 Descrita pela primeira vez por Antonius e Glabfelter em 1977, é uma doença comum em muitos SPS e LPS. Sua caracteristica mais marcante e que dá nome á doença é uma faixa branca e progressiva de esqueleto que surge. Essa faixa é resultado da perda de tecido. isso avança a uma taxa de vários milímetros por dia na superfície da colônia de coral.

É comum que a WBD tenha inicio na parte sombreada dos corais ou em áreas debilitadas do esqueleto. Segundo o pesquisador ela serve frequentemente como ponto de partida para  a Black Band Disease.

Embora o tecido possa parecer normal na sua superfície nas fases iniciais, mudanças degenerativas e necrose parcial podem estar presentes.

É uma doença de ação lenta e raramente reversível quando acontece em comunidades de coral selvagem. Apesar disso ela não possui nenhuma indicação de ser contagiosa a outros corais, segundo Antonius.

Análise de microorganismos em locais de infecção revela presença de um grupo de bactérias, fungos e microorganismos, todos pertencentes a fauna típica de corais saudáveis. A doença não é afetada por antibióticos.

1.1  White-Band Tipo II

Os sintomas são semelhantes ao tipo I, porém ela causa uma faixa com avanço mais rápido do que a WBD Tipo I. Kim Ritchie, descobriu uma bactéria associada com esta doença que pode ser a sua causa.

Estudos ainda estão sendo encaminhados, e apesar da progressão dos tipos de WBD I e II serem semelhantes, ainda não foi confirmado se são relacionados, são a mesma ou diferentes.

1.2 White Plague Tipo I

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Colpophylllia saudável.

É caracterizada por uma perda lenta de tecido da base e lados em corais não Acroporas. Ela afeta corais volumosos (Colpophyllia, Mycetophyllia) e é objetico de estudo do Dr. Philip Dustan. Até o momento nenhum patógeno foi isolado, entretanto os estudos continuam. Ela se assemelha, em aparência, a necrose relacionada à estresse.

1.3 White Plague Tipo II

Coral de cérebro (Diploria strigosa) em Juno Beach, FL sofrendo de Branco praga, uma doença que tem devastado os recifes de coral no Atlântico Ocidental.
Coral cerebral (Diploria strigosa) em Juno Beach, FL, que sofre de White Plage Tipo II , uma doença que tem devastado recifes de coral no Atlântico Ocidental.

É uma das doenças mais difundidas no Caribe e Golfo do México. Afeta vários gêneros e predominantemente os corais volumosos.  Kim Ritchie e Laurie Richardson isolaram uma nova espécie de bactéria de Sphingomonas presente no tecido e esqueleto desses corais que parece representar um papel ativo na progressão da doença.

2.  Yellow-Blotch Doenças (YBD)

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Recentemente descoberta, essa doença afeta o principal gênero de coral construtor de recifes: Montastaea. É caracterizado por necrose de tecido que resulta em um esqueleto exposto e coberto de algas.

As margens do tecido afetado apresenta uma faixa amarelo pálida de largura variável. Porém, pelas características apresentadas, a aparência incomum do tecido e as mudanças histológicas tendem a indicar um elemento causal específico. A degeneração é lenta e nenhum patógeno foi isolado.

Amanhã falarei de mais algumas doenças de corais, fiquem ligados!


LEGENDA:
SPS: quer dizer Small Polyp Stony. Esses corais possuem esqueleto calcareo e seus pólipos são pequenos. São encontrados geralmente em colônias como exemplo podemos citar as acróporas e as mantiporas.
LPS: quer dizer Large Polyp Stony. São corais com esqueleto calcareo e seus polipos são grandes, podem ser encontrados em colônias e solitários. Como exemplo de LPS coloniais podemos citar os Trumpets, Frogs, Sun Corals e como exemplo de solitários o Plate coral.
Corais SOFT: como o próprio nome já diz são corais moles. Não possuem esqueleto calcareo e podemos encontra-los em colônias ou solitários, podemos citar como exemplo de Softs os Mushrooms, Carpets, Zoanthus, Palithoas, etc.
Fontes:
Aquarium Coral Doenças: http://aquariumcoraldiseases.weebly.com/index.html
Reef Club: http://www.reefclub.com.br/community/index.php?threads/pragas-doen%C3%A7as-e-corais-uma-pequena-revis%C3%A3o.569/
Reef Corner:http://www.reefcorner.org/forum/entendendo_as_doencas_de_corais-33750

Sobre o Autor

Beatriz Morais

Beatriz Morais é graduanda em Ciências Biológicas, Diretora do Blog Biologia para Biólogos, Organizadora do CONABio (Congresso Online Nacional de Biologia) e empreendedora digital. À frente do 1º CONABio, Beatriz reuniu 21 grandes expoentes da Biologia em âmbito nacional para palestrar no primeiro congresso online do Brasil direcionado para a carreira do(a) Biólogo(a). Apaixonada desde cedo pela biologia, sentiu uma grande necessidade de ação em prol da carreira do biólogo após entrar na universidade e foi ai que tudo começou. Buscou se informar com os maiores especialistas de cada área, artigos, livros, vídeos, tudo o que podia ajudar a conquistar seu objetivo: mostrar aos biólogos, estudantes e formados, oportunidades de carreira na biologia onde apenas você é responsável pelo seu resultado.

2 Comentários

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    • Olá Júlia, tudo bem? Aqui é Beatriz, a autora do blog. Existem alguns tipos específicos de fungos que atacam corais sim, porém é difícil identifica-los pois esses organismos tem uma taxa mutagênica muito alta e se reproduzem com muita rapidez, matando o coral com rapidez. Já as esponjas vivem em simbiose com os corais, por elas descamarem seus microrganismos servem de alimento para os corais.
      Tirei sua dúvida?
      Abraço.