Botânica

Você comeria um alimento irradiado?

Você comeria um alimento irradiado? Sabia que grandes pesquisas de melhoramento vegetal e controle de pragas estão relacionadas ao uso das radiações? Nesse post citarei dois usos típicos das radiações que provavelmente você não fazia a menor ideia.

A radiação na agricultura

A energia nuclear tem provado ser extremamente valiosa em várias áreas da agricultura, contribuindo bastante para o sucesso de pesquisa que visam não só o aumento da produção de alimentos, mas também a conservação dos mesmos. Tais técnicas não são utilizados diretamente pelos produtores, mas sim por pesquisadores em seus institutos, onde soluções para problemas, novas técnicas e novos produtos são criados e fornecidos a estes agricultores.

Você pode pensar: Ok, mas irradiar alimentos não altera suas propriedades, como gosto, textura ou sabor?

Tudo depende do tempo de exposição que esses alimentos serão submetidos por tempo controlado e sem nenhum contato direto com a fonte radioativa, geralmente o cobalto-60 ou o césio-137 (ambos isótopos radioativos). Pequenas doses não alteram a aparência ou gosto do alimento e ainda prologam seu tempo de conservação. O exemplo mais clássico que podemos citar é o da cebola e a batata. Sabe quando você deixa algumas cebolas/batatas armazenadas em sua casa e após algum tempo elas começam a criar raízes, apodrecem e aparecem alguns brotos? Isso não aconteceria caso fossem irradiados por raios gama, além de prevenir tudo isso, aumentaria a sua conservação em 1 ano ou mais!

E o melhor de tudo é que alimentos que são irradiados com esse propósito não causam qualquer maleficio a nossa saúde, pois existe uma diferença ENORME quando se fala que algo é irradiado e quando se fala que foi contaminado, neste caso o corpo contaminado precisa entrar em contato físico com o material radioativo, e apenas assim, se torna uma fonte emissora de radiação.

Controle de pragas

Muitos produtores além de se preocuparem com o estado de conservação de seus produtos precisam se preocupar com a possibilidade de perda por danos relacionados a pragas. É aí que a irradiação entra mais uma vez para salvar o dia! A radiação também é usada com a finalidade de matar os insetos que podem estar no interior dos alimentos, evitando a disseminação de pragas através da exportação/importação de produtos agrícolas. As vezes a radiação é usada para reduzir a quantidade de “germes” existentes no alimento tornando-os mais saudáveis para o consumo (condimento e rações).

Outra forma de controlar insetos é criando espécies em laboratório e submete-las a irradiação por raios gama para ficarem estéreis. Após este procedimento são soltos na natureza para competirem em acasalamento com os selvagens locais, resultando deste cruzamento, ovos estéreis. Com sucessivas liberações em massa de insetos estéreis, pode-se chegar até mesmo a uma erradicação da praga do local desejado, sem com isto poluir o ambiente. Viu só como a radiação tem o seu lado positivo?

É comum que muitos de vocês se assustem ao se depararem com termos como por exemplo “alimentos irradiados”, e surgir dúvidas se isso é saudável ou não e como isso é feito. As radiações quando utilizadas da maneira correta podem trazer diversos benefícios para a sociedade, mas ainda assim devem ser estudas com muito cuidado, pois podem causar grandes prejuízos para a saúde do homem dependendo do tipo de radiação (ionizante ou não), dependendo  do tempo de exposição e da dose absorvida podem levar até mesmo a morte.

Fontes:

Eduardo A.C Garcia – Biofísica

Irradiação de alimentos é tema antigo, mas ainda controverso http://www.labjor.unicamp.br/midiaciencia/article.php3?id_article=244

Diferença entre irradiação e contaminação

http://brasilescola.uol.com.br/quimica/diferenca-entre-contaminacao-radioativa-irradiacao.htm

Legislação da ANVISA para alimentos irradiados

http://www.anvisa.gov.br/anvisalegis/resol/21_01rdc.htm

Sobre o Autor

Eduardo Gonçalves

Graduando em Bacharelado e Licenciatura em Ciências biológicas pelo Centro Universitário Fundação Santo André (CUFSA), astrônomo amador curioso e apaixonado pela ciência. É uma satisfação enorme escrever para o blog Biologia para Biólogos, divulgar o conhecimento científico e contribuir de alguma forma para tornar o mundo um lugar melhor são os grandes pilares que me sustentam