Diversos

Parque Estadual do Ibitipoca

Se tem um pensamento que não falta na mente de um biólogo ou estudante de Biologia é uma checklist de lugares com uma paisagem natural para se visitar.

Quando pensamos em nossa lista de lugares para ir temos que levar em conta muitos fatores, afinal eles que definirão o aproveitamento da nossa viagem.

A infraestrutura do possível local de destino, seus pontos turísticos, sua fauna e flora influenciam diretamente na nossa decisão de para onde ir.

Pensando nisso, eu resolvi trazer um pouco da minha experiência no Parque, mostrando o diferencial do lugar. Espero que ele seja seu próximo destino!

 1. A biologia diversificada dentro de uma área relativamente pequena é uma vantagem pra você. Entenda o por quê!

O Parque Estadual do Ibitipoca está localizado na Zona da Mata de Minas Gerais, próximo ao município de Lima Duarte. Possui uma área total de 1488 hectares e está em uma altitude média de 1500 metros.

Ao longo do post você vai perceber que o parque oferece muitos atrativos, que podem ser visitados em um curto espaço de tempo e vou começar a falando sobre isso.

Durante minha visita percebi que a vegetação é muito peculiar intercalando áreas de vegetação muito diferentes. Boa parte do parque conta com a formação de campos rupestres, que inclui a cobertura do solo por capins e ervas com arbustos espaçados.

Já nas partes menos elevadas do Parque predomina a Mata Atlântica, na qual é comum a presença de uma grande variedade de bromélias, orquídeas e samambaias. Então se você é um apaixonado por epífitas (plantas que utilizam de outros vegetais como suporte), pode correr para lá!

O ar, especialmente dentro do Parque é de excelente qualidade. A prova disso eu encontrei nas árvores, que são repletas desses liquens. Eles são bioindicadores de boa qualidade do ar e só se desenvolvem onde não habita a poluição.

Foto 1. As árvores do parque são repletas desses maravilhosos liquens. Olha esse que maravilhoso! Foto de:Priscila Gonçalves.

2. Não vale à pena sair pra ver a natureza sem um saber um pouco sobre o que o lugar pode oferecer

Durante a minha pela busca de mais informações, encontrei o Carlos Augusto Ribeiro, que é monitor ambiental e trabalha há 21 anos na área e está no Parque há três meses.

É aí que minha jornada começa!

Carlos é responsável por recepcionar os turistas que chegam e conectá-los à biologia que eles vão encontrar pela frente a partir de quando saírem do Centro de Visitantes.

Nessa roda de conversa, percebi que o Parque conta com muitas trilhas e pontos que logo de cara já conquistam qualquer pessoa, dá só uma olhada! E isso é só o começo!

Foto 2. Cachoeira dos Macacos. Foto de: Foto de Rodrigo Herthel. Fonte:https://www.flickr.com/photos/rodrigoduke/4674960612/sizes/l
Foto 3. Lago dos Espelhos. Foto de: Kaquele. Fonte: https://www.flickr.com/photos/kaquele/6883278544/sizes/l

A trilha mais curta, que vai do Lago dos Espelhos leva até a Cachoeira dos Macacos, que possui um curso médio de 5 km e pode ser feita em até duas horas, sendo que através do percurso há outras cachoeiras para se observar.

Foto 4. Pico do Pião. Esse pico é o segundo ponto mais alto do Parque, com 1720 metros de altitude. No final dele em 1930 foi construída uma capela, que não resistiu à ação do tempo e desabou em 1935.  O que restou foram apenas ruínas desse monumento. Foto de Marina Dutra Miranda. Fonte:https://www.flickr.com/photos/57246643@N07/8697383282/sizes/l

 

Foto 4. Janela do Céu. A Janela do Céu tem esse nome pois forma uma abertura em forma de arco sobre o leito do rio, formando  uma queda d’água que proporciona a visão do céu, dos vales e vegetação ao redor. É impossível ir ao Ibitipoca sem falar em Janela do Céu! Foto de: Simone Coutinho. Fonte:https://www.flickr.com/photos/sisicoutinho/6263299903/sizes/l

 

Foto 5. Cacheirinha. É uma queda d’água de pequeno volume com aproximadamente 35 metros de altura. Ao final da queda forma-se um poço de menos de um metro de profundidade. É uma cachoeira em miniatura que encanta todos que a visitam. Fonte:https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Cachoeirinha_em_Ibitipoca_-_Minas_Gerais.jpg
Foto 6. A Gruta do Pião é uma formação quartizitica, localizada abaixo do Pico do Pião. O corredor tem um teto baixo e se ramifica em alguns condutos. Foto de: Ary Leber. fonte: https://www.flickr.com/photos/31393703@N05/5431527835/sizes/l

 

Foto 7. Lago Negro é uma piscina natural formada no Rio do Salto propícia para banho com uma profundidade de 5 metros e de 6 à 7 metros de largura. Foto de: Carlos Alberto Lobato Solano. Fonte: https://www.flickr.com/photos/34562653@N07/15366171139/sizes/o/

 

Foto 8. Prainha.A Prainha é uma formação de areia que ocorre no Rio do Salto. Nesse trecho o rio é raso e propício para banho. Repare na areia do Parque. Foto de Eduardo Miranda. Fonte:  https://www.flickr.com/photos/eduardofmiranda/16843838955/sizes/o/

 

Foto 9. Outro ângulo da Prainha. Foto de: Fernando Pinto. Fonte: https://www.flickr.com/photos/120126098@N08/13084328055/sizes/l

 Se Ibitipoca não tem mar, de onde veio a areia? Essa areia é proveniente da decomposição de quartzito em partículas pequenas, que são carreadas pelas águas formando esses belos bancos de areia como mostrado na imagem.

Foto 10. O Lago das Miragens possui aproximadamente 15 metros de largura, 20 metros de comprimento e 3 de profundidade. Suas águas são frias e escuras, propícias para o banho. Foto de:  Augusto. Fonte: https://www.flickr.com/photos/augusto08/20911258701/sizes/l

Esses são alguns dos principais pontos mais acessados pelos turistas. Mas há muito mais para se descobrir, então continue de olho no post.Uma característica que chama atenção é a enorme quantidade de grutas no Parque. Você poderá conhecer um pouco mais sobre elas nesse material, clicando aqui.

3. A Infraestrutura do Parque é o primeiro cartão de visitas

O Parque conta com uma boa infraestrutura interna bem sinalizada, cuidada e organizada para atender as necessidades dos visitantes, além de uma enfermaria para emergências.

O centro de visitantes abriga uma exposição interativa sobre o Parque e seus pontos turísticos. Ao lado do mesmo apresenta-se a lojinha do parque, para venda de lembrancinhas e artesanatos.

 

A área de camping é organizada e possui vestiário feminino e masculino, pias para lavar pratos, tanques e dois quiosques com churrasqueiras e mesas em alvenaria.

Próximos ao camping estão situados os alojamentos do Centro de Pesquisas e Manutenção, com capacidade para abrigar 24 pessoas. Em geral, os alojamentos apresentam banheiros, cozinha e camas bem estruturadas.

O restaurante situa-se acima da área de camping em uma região montanhosa, sendo que sua entrada é feita por um deck suspenso com vista panorâmica. O salão do restaurante possui capacidade para 45 pessoas.

Foto 14. Vista parcial do camping. Foto de: Leônidas Guedes. Fonte: https://www.flickr.com/photos/leonidasguedes/14858324579/sizes/l
Foto 15. Vista parcial do restaurante do Parque. Fonte:http://jornalocombatente.blogspot.com.br/2017/08/licitacao-vai-definir-instalacao-de_29.html

Mas não adianta de nada a infraestrutura pessoas para ajudar quando necessário, não é? Por isso está acontecendo a contratação de mais funcionários para atender a demanda de visitantes e melhor atendimento.

4. Você conhece os hotspots do Parque?

Se você for ao Ibitipoca e por um acaso se deparar com essas espécies, com certeza vai lembrar-se do post!

Foto 16. Callicebus nigrifrons. Este simpático primata é conhecido na região como guigó e alimenta-se de frutos, folhas, sementes macias e insetos. Apresenta uma vocalização que emite um som como um “zóg-zóg”, mais frequente na parte da manhã e fim da tarde. Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Callicebus_nigrifrons_near_Campinas.jpg#file

 

Foto 17. Pyroderus scutatus. É conhecido também como pavó ou pavão-do-mato. Alimenta-se de frutos e até mesmo pequenos anfíbios. Os machos, durante o período reprodutivo apresentam comportamento de corte como canto e exibição de papo para atrair uma parceira. Fonte: https://www.flickr.com/photos/jquental/6965245297/sizes/l

 

Foto 18. Pteroglossus baillon. Alimenta-se de uma grande quantidade de frutos como o do palmito e o da embaúba, sendo importantes dispersores de sementes. Foto de: Sylvère Corre. Fonte: https://www.flickr.com/photos/110394983@N04/14995757421/sizes/l

 

Foto 19. Puma concolor. Com certeza o animal mais difícil de ver, devido a sua grande área de forrageio e território. Procura sempre evitar a presença humana, sendo comum em áreas de mata bem preservada e pouco frequentada. Apresenta uma dieta bem variada, comendo pequenos mamíferos em geral. Fonte: https://www.flickr.com/photos/126268168@N07/14991913636/sizes/l

 

Foto 20. Chysocyon brachyurus. É um canídeo que possui hábitos crepusculares e noturnos. Alimenta-se de pequenos invertebrados e frutos, sendo assim onívoro. Pode pesar de 20 à 30 quilos e medir até 115 centímetros de comprimento. Fonte: https://www.flickr.com/photos/jennydeluca/16186560488/sizes/l

 

Foto 21. Streptoprocne biscutata. É chamado de andorinhão-de-coleira-falha e é mais comum em regiões de florestas bem preservadas. Foto de: Rafael Mendes. Fonte: https://www.flickr.com/photos/rafaelbiotur/23529716699/sizes/l

5. Conceição do Ibitipoca guarda mais história do que você pensa…

Na região, os índios araris ou ararés foram os mais antigos habitantes que se tem notícia. Foram os primeiros a nomearem a Serra com o nome Ibitipoca na língua tupi, podendo ter vários significados como: casa de pedra, montanha partida, serra fendida.

Conceição do Ibitipoca é o nome de uma vila que é distrito de Lima Duarte e se situa à 3 km do Parque. Seu passado remonta uma história de uma corrida pelo ouro, iniciada na região pelos bandeirantes.

O Arraial conceição de Ibitipoca como era chamado constituía de dezenas de moradores e já no século XVIII possuía numerosa população e era base de apoio para muitos viajantes.

A exploração do ouro foi breve e nessa mesma época a economia local passou a ter pilares agropecuários com a criação de gado, cultivo de café e cana de açúcar. A partir de agora a história fica mais interessante…

Em 1787, foi realizado um inventário de teares existentes na Vila, somando 23 dessas máquinas que eram manuseadas por 80 mulheres. Eram elas que produziam as colchas coloridas e de ricos detalhes, que hoje não são produzidas mais.

Eram comuns também trabalhos manuais com fuxicos e tapetes feitos com tiras de tecido, artesanatos com caixas de fósforos e tampinhas de garrafas. No acervo do Centro de Visitantes o Carlos me mostrou todo esse material!

Um registro tradicional que desapareceu eram também artesanatos esculpidos em madeira, obra de antigos entalhadores da região.

As fotos a seguir são minhas e tirei durante a minha estadia no Parque. Nele estão depositados livros feitos de tecido que remontam antigas memórias de moradores da região. Vale à pena separa um tempinho pra ler!

Além disso, artesanatos como colchas feitas com teares, artesanatos feitos com fuxicos, animais e bonecas de madeira, tapetes de tecido são retratos de uma história antiga do povo da região.

 

 Os moradores da Vila de Conceição do Ibitipoca  em sua maioria complementam sua renda através da venda de artesanatos,  o que que aquece  a economia local. , há diversas outras lojas que vendem roupas, artesanatos variados, colares e móveis.

     Com relação aos preços de camping, horários de funcionamento e regulamento do Parque, você pode acessar o Site do Parque e obter todas essas informações e muito mais!

Eu espero que o Ibitipoca esteja na sua próxima parada, pois é um paraíso natural que revela um pouco das riquezas de Minas!Coloquei aqui algumas instruções que vão te ajudar para chegar até lá:

  • Pela BR040, a partir de Belo Horizonte, sentido Rio de Janeiro, siga até o trevo de Barbacena. Na BR338 (Barbacena/ Ibertioga), continue pela estrada de terra até Conceição do Ibitipoca (Lima Duarte).
  • O acesso também pode ser feito pela BR040, entrando no trevo para o Circuito das Águas, em Juiz de Fora e seguindo até Lima Duarte. Deste ponto para Conceição do Ibitipoca são 27 km de estrada e da Vila para o parque são 3 km.

Boa Viagem e aproveite o que Minas tem de melhor!


Referências:

http://www.ibitipoca.tur.br/parque/

http://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/docs-plano-de-acao/pan-lobo-guara/sumario_lobo-guara.pdf

http://www.ief.mg.gov.br/component/content/192?task=view

http://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/docs-plano-de-acao/pan-lobo-guara/sumario_lobo-guara.pdf

DOS COELHOS, Geossítio Gruta. PARQUE ESTADUAL DO IBITIPOCA.

http://xa.yimg.com/kq/groups/14254433/1487632046/name/painel+final+5.pdf

Sobre o Autor

Priscila Gonçalves Silva

Sou uma graduanda apaixonada por células e trabalho com pesquisas na área da histologia e da toxicologia experimental. Mas tenho ainda uma outra inspiração: escrever! Escrever sobre o que vivemos e ensinar para outras pessoas o que aprendemos é o que nos faz melhores e o que nos move! E sobre você, o que te move e te inspira?

2 Comentários

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  • Agradeço a Deus,por ter me permitido ser mamãe dessa pessoa maravilhosa .Que seja sempre abençoada.Vai em frente filha!!!!!! Seus textos estão cada dia mais bem elaborados.