Genética

Perfeição Evolutiva: Darwin estava certo?

Caro Darwin, como você bem pôde notar, nos últimos anos temo-nos destacado dentre as outras espécies. Dominamos o fogo, cultivamos nosso próprio alimento, caçamos e domesticamos inúmeros seres e hoje, analisando o todo, tivemos uma eficácia biológica de dar inveja afinal, modéstia a parte, 7 bilhões não é para qualquer um. Entretanto, após todo esse sucesso já era de se esperar que o mesmo nos subisse à cabeça.

O termo “mais evoluído” se tornou corriqueiro. A confusão acontece por acharem que, por um organismo ser mais complexo, ele se torna mais evoluído, e não é bem por ai. Por exemplo, o homem é muito mais complexo do que uma bactéria, entretanto é tão evoluído quanto ela. Por quê? Porque acreditamos que todos os organismos do planeta possuem um ancestral comum que surgiu há cerca de 3,8 bilhões de anos, onde a partir dele, teriam surgido todas as outras formas de vida, ou seja, todos nós temos 3,8 bilhões de anos de pura evolução.

Também ignoramos alguns aspectos que deveriam ser levados em conta, como por exemplo:

(i) os organismos não foram planejados ou moldados para o presente, eles foram moldados através da seleção natural por ambientes passados. Então as nossas características são apenas um reflexo dos sucessos e falhas dos nossos ancestrais (o que já nos retira grande parte dos méritos);

(ii) parecemos estar aptos ao ambiente em que vivemos apenas porque tal ambiente é similar àqueles do passado. Talvez não tão similar… é que alteramos algumas coisinhas, mas isso é assunto para uma próxima conversa;

(iii) na minha opinião, essa é a mais lacradora (não sei se conhece essa expressão): a evolução atua sobre a variabilidade genética disponível no momento, ou seja, os organismos sofrem seleção não por serem “os melhores imagináveis” mas sim por serem “os mais aptos entre os disponíveis” OU “os mais aptos até o momento”.

Tá aí, esse é o nosso momento. Estamos com o potencial biótico nas alturas (e o ego também)! Mas uma hora, assim como toda população, encontraremos a resistência ambiental ou quem sabe um grande declínio na população devido a outros fatores (Malthus e os dinossauros que o digam) dará oportunidade para que novas espécies se sobressaiam.

Recentemente cientistas coletaram amostras de bactérias que vivem em chaminés hidrotermais, verdadeiros “vulcões submarinos”, localizadas nas Ilhas Fiji no Oceano Pacífico. Essas bactérias crescem em temperaturas acima de 50°C, preferem ambientes ácidos, com pH em torno de 4,5 e utilizam enxofre ou ferro para o metabolismo no lugar do oxigênio. Descobertas como essa nos fazem ter certeza de que, se por ventura viermos a causar um dano muito grande ao planeta, a vida não desaparecerá por completo afinal, seres como esse, menos evoluídos na visão de muitos, terão plena capacidade de recolonizar (tem um tal de Tardígrado também que está dando o que falar!!!).

Bom, vou finalizar por aqui e gostaria de pedir-lhe um favor: teria como explicar novamente a filogenia do Homo sapiens? É que a galera está fazendo uma confusão aqui… tem um papo estranho de “o homem veio do macaco” e umas dúvidas do tipo “por que os macacos não evoluíram e viraram seres humanos?” E pensar que você explica essa história há mais de 150 anos…

Aguardo ansiosamente pela próxima conversa.

Atenciosamente

Ariadne.


Referências:

BEGON, MICHAEL. Ecologia: de indivíduos a ecossistemas / Michael Begon, Colin R. Townsend, John L. Harper: tradução Adriano Sanches Melo… [et al.]. – 4. ed. – Porto Alegre: Artmed, 2007. 752 p. : il.; 28 cm.

PROSDOCIMI, FRANCISCO. Crendices evolutivas. Disponível em <http://www2.bioqmed.ufrj.br/prosdocimi/chicopros/ensino/didaticos/crendicesevolutivas.html>. Data de acesso: 24 setembro de 2017.

REYNACH, FERNANDO. A longa marcha dos grilos canibais e outras crônicas sobre a vida no planeta Terra / Fernando Reynach. – São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

REYSENBACH, A.L., et al. A ubiquitous thermoacidophilic archaeon from deep-sea hydrothermal vents. Nature, vol. 442, p. 444, 2006.

Sobre o Autor

Ariadne Silva

Uma breve descrição: Formada em Ciências Biológicas (Licenciatura e Bacharelado) pela Universidade Metodista de São Paulo. Fazer parte da equipe do “Biologia para Biólogos” me concede a oportunidade de aprender cada vez mais, aprimorar conhecimentos, divulgar a ciência de uma forma mais dinâmica, atuando como uma mediadora e assim ajudar os que já se encontram formados, os que ainda o que ainda estão a caminho e os simpatizantes dessa área incrível que é a Biologia.

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  • Com este texto eu tive a oportunidade de aprender um pouco mais, aprimorar ainda mais os meus conhecimentos,relacionados oque eu aprendi nos estudos da biologia e ciência de uma forma mais dinâmica, atuando como uma mediadora e assim ajudar os que estão querendo se formar nessa matéria.