Biologia Marinha

Vamos falar sobre os Corais?

Os corais constituem um ecossistema marinho albergando uma biodiversidade extraordinária, atuando com uma enorme importância ecológica para o meio ambiente, porque além de darem abrigo e alimento para a maioria dos seres que nele vivem, funcionam como um filtro de água do mar já que se alimentam por essa filtração.

Em uma área de recifes de corais pode haver centenas ou milhares de outras  espécies marinhas que ali buscam alimento e abrigo para si e para seus ovos e filhotes, além de proteção  contra as correntes marítimas e contra diversos predadores que ali rodeiam.

São encontrados em locais de água quente e claras, além formares uma das maiores maravilhas do mundo submarino, eles estão sendo gravemente ameaçados. A contaminação terrestre, o aquecimento global, a poluição das águas, radiação solar, a sobrepesca são as suas principais ameaças, levando ao seu branqueamento, e extinção de várias espécies.

Esses seres além de terem uma grande importância para diversos organismos também participam da sustentabilidade econômica do ser humano, sendo de grande importância a sua conservação para que eles se reproduzam e haja diversificação das espécies.

Então eu te pergunto, o que são corais?

São animais marinhos do grupo dos cnidários, que inclui também as anêmonas, as águas-vivas ou medusas e os “corais de fogo” (hidrozoários). Os cnidários são animais exclusivamente aquáticos, em sua grande maioria,
marinhos. Existem dois tipos morfológicos de indivíduos: os pólipos e as medusas. Os pólipos são organismos sésseis, ou seja, vivem fixos a um substrato. São invertebrados (animais que não possuem espinha dorsal) capazes de formar por baixo do tecido um esqueleto calcário (como nossos ossos) ou córneo (como nossas unhas). Este esqueleto é responsável pela fixação do coral no fundo do mar e serve também como proteção.

O corpo dos corais é chamado de pólipo, que consiste em uma estrutura cilíndrica em forma de saco com uma cavidade interna que se abre apenas em uma extremidade: a boca. Rodeada por tentáculos, a boca age tanto na ingestão de alimentos, quanto na eliminação de resíduos. Os tentáculos são estruturas com grande quantidade de células chamadas cnidócitos, que contêm substância urticante e paralisante que serve para capturar presas e defender o pólipo.

No interior do tecido do coral vivem várias algas microscópicas chamadas zooxantelas. Estas algas possuem uma relação de simbiose com o coral, na qual a alga fornece ao pólipo alimento através do processo de fotossíntese e, em troca, recebe proteção e nutrientes. Os corais se reproduzem tanto de forma sexuada (com um parceiro) quanto de forma assexuada (sozinhos). Eles utilizam essas duas formas de reprodução para se desenvolver como colônia, para formar recifes e gerar novos filhotes.

Onde podemos encontra-los?

Os corais vivem em todos os oceanos do mundo. Alguns tipos de coral vivem sozinhos, mas muitos outros existem em grupos chamados colônias. Vários tipos diferentes de corais juntos podem formar enormes colônias chamadas recifes. O maior recife de coral do mundo é a Grande Barreira de Coral, localizado na costa da Austrália.

Recifes de corais:

 

Os recifes de corais são formações construídas a partir da deposição de carbonato de cálcio por diversos organismos marinhos, mas outros organismos, como algas calcárias e moluscos, também contribuem para a formação de substratos recifais. Um recife de coral é coberto por milhares de pólipos de coral. Quando os pólipos morrem, novos pólipos crescem por cima dos esqueletos que ficam. Por isso, um recife de coral é composto por camadas muito finas de carbonato de cálcio resultante da sobreposição dos esqueletos das sucessivas gerações de pólipos. Assim, quando vemos um recife de corais, apenas a fina camada superficial é que é constituída por pólipos vivos.

A importância dos corais para os outros seres vivos:

Uma das funções dos corais é servir de habitat para outros animais marinhos, como peixes e caranguejos, além de servirem de esconderijo para os mesmos, de seus predadores. Várias espécies de peixes e crustáceos com grande valor comercial tais como o Pargo, o Sirigado, a Lagosta e o Camarão, necessitam dos recifes de corais em várias fases de suas vidas, sendo eles ricos em espécie. Outra importante função dos corais é promover a separação do bicarbonato de cálcio presente na água marinha, com precipitação e formação do carbonato de cálcio, através de uma associação com algas verdes, que vivem no interior das células dos pólipos de corais, que se juntam e fazem fotossíntese, fornecem ao coral uma parte de seu alimento, e são de um modo geral a base de todo um ecossistema marinho.

Os recifes abrigam minúsculas algas que são muito importantes para a manutenção do equilíbrio do ecossistema uma vez que elas fornecem material orgânico para as bases da teia alimentar. Além disso elas são um dos
principais seres, juntamente com as proclorófita, a fornecer oxigênio para os seres vivos.

Os corais são lugares de grande importância não só para os animais marinhos mas também para a sustentabilidade econômica do ser humano.

Como providenciam alimento, abrigo e proteção a cerca de um milhão de espécies marinhas, sendo um importante viveiro para os peixes em crescimento, além disso proporcionam empregos através da pesca e da indústria do turismo, muitas pessoas ganham suas vidas com isso, e se acontecer algum desastre natural ou proposital acaba desequilibrando tanto o ecossistema quanto a vida das pessoas que ganham dinheiro com isso.

Por que estão morrendo?

O calor leva ao branqueamento dos recifes e à morte maciça de corais. Um efeito colateral do aquecimento global, a acidificação dos oceanos, também é fatal para a saúde dos corais. Ao absorver o excesso de dióxido de carbono na atmosfera, as águas oceânicas tornam-se mais ácidas, o que compromete a capacidade dos corais de construir seus esqueletos calcários.

Como se não bastassem os males do efeito estufa, a ação direta do homem também tem consequências nefastas para os corais. Os resíduos provenientes do esgoto e do lixo de cidades litorâneas ou de fertilizantes usados na agricultura provocam proliferação de vários tipos de alga que competem com os corais e os asfixiam. A pesca predatória sobretudo com o uso de dinamite, como ocorre na Ásia, ou com redes pesadas reduz grandes áreas dos recifes a ruínas. A construção de resorts em zonas litorâneas também coloca os corais em risco, a contaminação terrestre, o aquecimento global, a poluição das águas, radiação solar, a sobrepesca são as suas principais ameaças.

No link abaixo você encontra mais textos falando sobre as doenças dos corais:
Doenças de Corais – Parte 1

Doençãs de Corais – Parte 2

Branqueamento

O branqueamento do coral é a morte dos pólipos responsáveis pela construção dos recifes de coral, devido a problemas ambientais, como a mudança do clima. A morte dos pólipos ocorre pela destruição das zooxantelas, algas pluricelulares que vivem dentro do celêntero (cavidade gastrovascular dos cnidários) dos pólipos e lhes fornecem parte da comida necessária, através da fotossíntese, por diminuição do plâncton (o outro elemento nutritivo do coral) na área.

Quando isto acontece, os pólipos ficam enfraquecidos e morrem, restando o esqueleto calcário que rapidamente fica branco, uma vez que a matéria orgânicas e decompõe. Por isso se chama a este processo “branqueamento”. O fenômeno de “branqueamento” de coral é um primeiro sinal de alerta sobre a gravidade da mudança que está ocorrendo no ambiente marinho.

A mudança do clima não é a única causa do branqueamento dos corais, embora as variações de temperatura que podem ocorrer numa área oceânica, sem estarem ligadas diretamente àquele fenômeno, também podem causar
este problema, uma vez que os corais necessitam para viver de uma gama de temperaturas muito pequena, por isso, um El Niño pode provocar o branqueamento na área afetada por aquele fenômeno. Desastres locais, como derramamentos de produtos químicos, diminuição da salinidade por uma cheia próxima, ou o assoreamento de um recife também podem causar a morte da colônia.

O branqueamento pode não causar a morte total do recife, se a causa não tiver uma duração muito prolongada e se os pólipos afetados forem apenas da parte superficial da colónia; nesses casos, os pólipos podem rapidamente
reproduzir-se e restabelecer a vida dos recifes.

Causa

Os corais estão ficando brancos, ou seja, estão morrendo em uma velocidade alarmante. Das 1400 espécies de corais conhecidas, 231 estão em diferentes graus de risco de extinção. Há dez anos esse número era de apenas 13. Com isso, as mais de 2 milhões de espécies abrigadas por estes também sofrem as consequências e podem até desaparecer.

Os corais são afetados diretamente pela temperatura, pela radiação solar e pela química dos oceanos. As águas dos mares estão ficando mais quentes, com isto eles se contraem e começam a sufocar as algas dentro deles. Estas, por sua vez, soltam toxinas para forçar o coral a expulsá-las. Por isto eles ficam doentes e com a cor branca. Se a temperatura do mar não volta ao normal, eles, por fim, morrem.

Além de mais quentes, os mares estão mais ácidos. Com o aumento da poluição, principalmente o aumento da concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, o oceano acaba absorvendo esses gases. Diluídos na água, é formado então o ácido carbônico, conforme a reação:

CO2(g) + H2O(l) → H2CO3(aq)

Os corais não são os únicos afetados, mas os organismos que nele vivem também. Veja o plâncton como exemplo, uma vez que eles estão na cadeia alimentar marinha, servindo de alimento para organismos maiores, ocorrerá um desequilíbrio na cadeia inteira, inclusive em espécies que alimentam o ser humano.

Grande barreira de Corais da Austrália

Por isso, medidas urgentes devem ser tomadas. Um exemplo é a Austrália que estabeleceu áreas de corais a serem protegidas de visitantes e passou a controlar o uso de fertilizantes nas plantações próximas. No Brasil existe a Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais, maior Unidade de Conservação marinha do país entre o litoral sul de Pernambuco e norte de Alagoas.

Se os corais continuarem morrendo ocorrerá um desequilíbrio em todo o nosso ecossistema, principalmente na vida marinha. Em consequência disso a pesca artesanal e o turismo sofreram um grande impacto econômico. A vida na Terra está muito comprometida, pois ela é um ciclo, se ocorrer a extinção dos corais automaticamente afeta qualquer vida que vive aqui.

Conheça algumas alternativas e alguns projetos

Sabendo do papel fundamental que eles têm na vida marinha, cientistas estão desenvolvendo sete maneiras de conservar os recifes de corais, o mais intactamente possível, para as futuras gerações.

1º Proteger os peixes que se alimentam de algas

Peixes comedores de algas são fundamentais para manter o equilíbrio da vida marinha, porque algumas delas inibem o crescimento de jovens corais. Proteger reservas marinhas permite a sobrevivência de uma quantidade abundante dessas espécies de peixe, o que por consequência ajuda a proteger os corais.

2º Multar quem danifica os corais
No começo de 2009, um navio americano atravessou e devastou um recife em Honolulu, Havaí (EUA), e pagou caro: 7 milhões de dólares. Os corais foram restaurados com esse dinheiro, um custo para levar mergulhadores suficientes para realocar 5.000 colônias de coral em seus lugares de origem. As multas são uma forma que o governo achou para “incentivar” as pessoas a tomar cuidado com as barreiras de coral, especialmente em operações da
marinha.

3º Mapear as áreas de recifes
Nesta era de fotos aéreas e acompanhamentos por satélite, não foi difícil para cientistas dos EUA mapear mais de 9.000 km² de recifes de corais. As expedições são parte de um programa para se entender, em cada área, onde estão os corais a serem protegidos e o que é necessário fazer. Alguns recifes têm sofrido particularmente com a poluição do mar e a pesca indiscriminada. O estudo deve “dedurar” que países são responsáveis pelos danos de determinado recife, e fazer algo para frear a destruição.

Porto de Galinhas – PE

4º Reconstruir corais com choques elétricos
Você sabe o que é Biorock? É um método aperfeiçoado por cientistas para reconstruir recifes a partir de choques elétricos. São instaladas barras metálicas em meio aos corais, e pequenos impulsos elétricos ajudam a acumular calcário, que é a base para a formação das paredes dos recifes. Mesmo sob condições adversas de meio ambiente (e aí se destaca o aquecimento da água do mar), a tecnologia apresenta bons resultados.

5º Recolocar corais com balões submarinos
Existe até uma organização para isso: “Fundação dos Balões de Recifes”. A tecnologia implica em mergulhar estas esferas flutuantes para monitorar e controlar o posicionamento dos corais que foram arrancados de seu habitat natural. Entre 3 e 5 anos, segundo a fundação, é possível recuperar um recife danificado, porque o posicionamento dos corais gera nutrientes.

6º Enaltecer a importância econômica de recifes
Importâncias econômicas dos corais: proporcionam comida para milhões de pessoas, atraem turistas para áreas tropicais e protegem a costa litorânea de tempestades. Segundo um órgão ambiental americano, o lucro que
os corais proporcionam ao planeta, direta e indiretamente, é de 375 bilhões de dólares por ano.

Acredita-se que algumas pessoas que praticam atividades marinhas não seriam tão negligentes em relação aos corais se soubessem disso.

7º Encarar a situação como ela é
Os corais já estão de fato enfraquecidos. Todas as medidas listadas acima têm agora o papel de minimizar os danos, e não de evitá-los. É o que afirma um pesquisador da Universidade de Queensland (Austrália), região onde se encontra a maior barreira de corais do mundo. Esse reconhecimento da situação, segundo o cientista, é ideal para que o
problema seja tratado, desde já, com a seriedade que merece.

Projetos

Os projetos existem em prol de tentar melhorar a situação dos corais aqui no Brasil, para tentar salva-los, não apenas eles, mas também muitas vidas que nele abrigam.

Projeto Coral Vivo

O Projeto Coral Vivo iniciou suas atividades em 2003, trabalhando com pesquisa e educação para a conservação e uso sustentável dos ambientes recifais e das comunidades coralíneas brasileiras, atuando de forma integrada, multidisciplinar e multi-institucional. Tem foco em três vertentes: geração de conhecimento (pesquisa); ensino e educação ambiental; e sensibilização e mobilização da sociedade. Em 2006, o projeto integrou-se à Associação Amigos do Museu Nacional (Samn), organização não governamental sem fins lucrativos localizada no Rio de Janeiro, fundada em 1937 e detentora de título de utilidade pública estadual desde 1966.

O Projeto apoia e realiza estudos que servem de subsidio para gestão de unidades de conservação e uso sustentável de recifes, através da compreensão das relações da sociedade com os ambientes de coral. Esses estudos incluem reprodução, recrutamento, crescimento e mortalidade desses seres, além do mapeamento físico e biológico que envolve padrões de distribuição dessas comunidades (algas, corais, gorgônias, gramas marinhas etc.). Realiza parceria e cursos com professores da rede pública, agentes de turismo e ainda capacita universitários através de programas de estágio. O objetivo é apresentar a constituição e a vulnerabilidade dos ambientes recifais, questões ligadas à eficiência energética, consumo consciente, conservação de recursos naturais e noções de construção de projetos educacionais que possam servir de base para o desenvolvimento de ações locais.

O Coral Vivo organiza atividades como visitas monitoradas às bases do Projeto, produz vídeos e campanhas de sensibilização, atua junto às redes sociais e mídias digitais, publica jornal trimestral (Coral Vivo Notícias), participa
de eventos, entre muitas outras ações. Nossa missão é proteger os ambientes recifais e toda sua biodiversidade por meio do desenvolvimento das comunidades ao seu entorno, atuando junto aos pescadores e outros profissionais que vivem de recursos providos direta ou indiretamente do mar.

Projeto Recifal

O projeto realiza ações de conservação de um ecossistema recifal no Nordeste do Brasil uma área de grande importância para a biodiversidade marinha. O Nordeste do Brasil possui as unias formações recifais de todo o
Oceano Atlântico Sul. O projeto objetiva especificamente: 1) Capacitar os membros da comunidade para atuar como agentes de campo e para supervisão da área dos recifes, 2) Fiscalizar e monitorar a área para evitar impactos causados pelo turismo; 3) Divulgar material de educação ambiental para projetos de conservação entre eles ;Conduta Consciente em Ecossistemas recifais; 4) Realização de mergulhos para censo visual analisando peixes e corais para acompanhar possíveis modificações na estrutura da comunidade relacionadas às mudanças climáticas (por exemplo,
branqueamento de corais).

Além de tudo, no momento o projeto planeja iniciar ações de ordenamento da área da Praia dos Carneiros para evitar impactos causados pelo turismo excessivo. Serão delimitadas área de ancoragem para os barcos e catamarãs e também organização e fiscalização da visitação as piscinas naturais da área.

Área de proteção Ambiental Costa dos Corais – ICMBIO


A Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais (APACC) é a maior unidade de conservação federal marinha do Brasil, ela possui mais de 400 mil ha de área e cerca de 120 km de praia e mangues. É uma unidade de uso sustentável, busca coadunar os objetivos de conservação/preservação ambiental e os usos direto (pesca) e indireto (turismo e pesquisa) dos recursos naturais de maneira sustentável, ou seja, garantir esse uso para as gerações atuais e futuras.

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Referências:
http://www.conservacaorecifal.com/recifes.php
http://coralvivo.org.br/
https://hypescience.com/cientistas-lutam-para-salvar-os-corais/
http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/biologia/corais.htm
http://coralvivo.org.br/recifes-e-corais/corais/
http://www.icmbio.gov.br/apacostadoscorais/
http://www.24brasil.com/vida/cientistas-criam-banco-de-dados-para-prever-branqueamento-de-corais/174781-noticias
http://escola.britannica.com.br/levels/fundamental/article/coral/481053
http://www.infoescola.com/biologia/recifes-de-corais/
https://www.ecodebate.com.br/2009/11/09/preservacao-dos-recifes-de-coral-afinal-natureza-e-fundamental-artigo-de-carol-salsa/
http://www.recifescosteiros.org.br/

Sobre o Autor

Giovanna Zanetti

Estudante de Ciências Biológicas em modalidade bacharelado pela Escola de Ciências da Saúde da Faculdades Metropolitanas Unidas - FMU. Faz Iniciação Científica no departamento de Fisiologia do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. É um prazer ser autora do Biologia para Biólogos, porque além de poder compartilhar todo o meu conhecimento e minhas experiências acadêmicas e científicas, estarei aprendendo muito com todos os profissionais que nele atuam.

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