Animais Silvestres

Risco de Extinção de Anuros na Mata Atlântica

Quero começar esse post incluindo créditos a minha amiga Beatriz Crisostomo dos Santos que me auxiliou nessa pesquisa.

Os anuros são vulgarmente conhecidos como sapos, rãs e pererecas. Mas espera ai: Você sabe a diferença entre eles? Não. Já te explico!

Os sapos tem a pele grossa e enrugada, não possuem membrana entre os dedos e permanecem mais tempo na terra (se comparado aos outros).

As rãs tem a pele úmida e lisa, possuem patas traseiras grandes (devido aos saltos) e membranas entre os dedos (que ajuda para que ela nade) e encontram-se sempre dentro ou próximas à água, mas comumente em lagoas.

E as pererecas também possuem a pele úmida e lisa, tem pernas longas e finas (que também ajudam no salto), possuem ventosas entre os dedos (auxiliando na escalação) e são encontradas em árvores e troncos.

Figura1: Morfologia de sapos, rãs e pererecas.

Diferença entre sapo, perereca e rã. Fonte: LSnarede, 2014.

O Brasil possui a segunda maior diversidade de anfíbios do mundo, no entanto estão enfrentado vários fatores que tem dizimado essas populações.

Vários estudos já foram realizados para melhor entender por que esses seres não conseguem se adaptar as inúmeros variações. Todos os autores chegaram à conclusão que a perda do habitat natural, as mudanças climáticas, espécies invasoras, o comércio ilegal de animais silvestres, a poluição do ar e da água entre outras, foram fatores determinantes para esses acontecimentos.

Nesses últimos anos foram publicados artigos onde se levanta mais uma hipótese para esse desaparecimento dos anfíbios, que são as doenças provocadas por fungos, mais precisamente a quitridiomicose.A quitridiomicose é causada pelo fungo patogénico Batrachochytrium dendrobatidis, que atacam os anuros infectando as células com presença de queratina da epiderme de anfíbios adultos, gerando um desequilíbrio nas trocas gasosa, de água e de eletrólitos que são realizadas através da pele, o que provoca a morte por parada cardíaca.

Figura 2: Batrachochytrium dendrobatidis.

Fonte: Crítica, 2015. Fonte: Luís Felipe Toledo, 2015.

Figura 3: Anfíbio infectado pelo fungo.                  

Fonte: Luís Felipe Toledo, 2015.

Mas de onde veio esse fungo?

Há uma hipótese que o quitrídio que vem causando as extinções de anuros, tenha desembarcado no Brasil no final dos anos 1970, juntamente com a rãs-touro importadas para criação em cativeiro.

É de extrema importância ressaltar que deve existir uma postura preventiva que proteja essa biodiversidade. Vários animais estão na lista de espécies ameaçadas de extinção, ou já extintos. Não podemos permitir que todos os anuros sejam os próximos. Salve o Planeta. Inté!


Referências:

  • CARVALHO, T. et al. Historical amphibian declines and extinctions in Brazil linked to chytridiomycosis. Proceedings of the Royal Society B. v. 284, n. 1848. 8 fev. 2017.
  • GUIMARÂES, M. Epidemiologia retroativa. Fundação de Amparo à Pesquisa e à Inovação do Espírito Santo. ED 253, p. 65-67, mar. 2017.
  • VERDADE, V. K.; DIXO, M.; CURCIO, F. F. Os riscos de extinção de sapos, rãs e pererecas em decorrência das alterações ambientais. Estudos Avançados. São Paulo, v. 24, n. 68, p. 161-172, 2010.  
  • POUGH F.H.; JANIS C.M.; HEISER J.B. A vida dos vertebrados. 4. ed. São Paulo: Atheneu, 2008.

Sobre o Autor

Thaís Teixeira

Sou Bióloga Bacharela e curso Ciências Biológicas Licenciatura. Escrever para o Biologia para Biólogos foi uma realização de um dos sonhos que tinha. O poder expressar, passar o conhecimento e aprender tanto com os outros escritores e com os leitores não tem preço. Espero atender e ajuda-los com os conteúdos postados. Gratidão! Inté.