Animais Silvestres

Tráfico de Animais Silvestres no Brasil

Você já ouviu falar sobre Tráfico de Animais Silvestres? Sabe qual o impacto disso para o nosso meio ambiente?

O que são animais silvestres? São animais que somente são encontrados na natureza e que reagem a presença de outros animais especialmente dos seres humanos. Esses motivos possibilitam que esses animais não se desenvolvam e reproduzam de forma adequada se estiverem em cativeiro.

Mas animais silvestres é o mesmo que animais domésticos? Não, os animais domesticados já estão acostumados a presença de humanos e são bem conhecidos como cachorros, gatos, porcos, galinhas e outros, sendo eles não retirados, capturados e apreendidos da natureza.

Leia o post ‘’ Devo ter animal silvestre como pet?’

Historicamente falando, os primitivos caçavam aves, mamíferos, répteis, anfíbios e insetos e utilizavam além da carne, garras, penas, peles, ossos e outras partes do corpo para criação de adornos, fabricação de ferramentas de caça e utensílios domésticos.

O tráfico de fauna e flora no Brasil em grande escala somente ocorreu após a colonização.

Os colonizadores levavam animais silvestres em seus navios. Esse método era utilizado para confirmar que eles haviam conquistado territórios em algum continente. Para melhor enfatizar essa afirmação, um dos primeiros registros de animais silvestres foi a carta de Pero Vaz de Caminha para o rei em 1500 (ano do descobrimento do Brasil). E em outra época com a presença dos europeus que apelidaram o Brasil de “Terra dos Papagaios” pela diversidade de aves aqui encontradas.

Por que é ilegal comprar bichos de criadouros não licenciados?

A Lei de Crimes Ambientais é a de nº 9.605 / 98. Ela determina penas administrativas e multas para atividades e condutas que prejudiquem ao meio ambiente sendo elas a captura, caça, perseguição, destruição e tudo que é realizado de forma ilegítima perante a lei.

Como funciona o tráfico de animais?

Como qualquer rede ilícita e criminosa o tráfico de animais silvestres realiza atos de corrupção, falsificações diversas, sonegação de impostos, declarações fraudulentas, e outros. Sendo hoje, o tráfico de animais silvestres, a terceira maior atividade ilícita, perdendo apenas para o tráfico de armas e de drogas.

De acordo com Magalhães (2002) o funcionamento do tráfico ocorre pelos Pobres (assim são chamados) são as pessoas que em sua maioria estão em regiões de pouco poder aquisitivo e comunidades mais carentes e sobrevivem desse comércio vendendo com valor barateado para os fornecedores que vendem os animais para intermediários que podem ser fazendeiros, caminhoneiros, comerciantes e outros (sendo atualmente o principal meio de distribuição as estradas) que repassam para os consumidores finais.

Esquema 1: Funcionamento do tráfico de animais silvestres.

Fonte: Adaptado de Magalhães, 2002.

Os traficantes passam uma idéia de espécies inesgotáveis na natureza, os fornecedores utilizam essa informação como argumento para seu comércio ilegal. Mas sabemos que não é assim e que cada espécie tem um ciclo de desenvolvimento e reprodução diferenciada.

No Brasil os três tipos principais de consumidores finais são o de colecionadores que almejam “status” (socialmente falando) por terem posse de animais muito raros (ou seja os que estão ameaçados de extinção), para pet shops com a intenção de ter mascotes e com finalidade científica ou biopirataria sendo que os principais consumidores são as indústrias farmacêuticas, com intenção de utilizar animais que tenham substâncias para interesses de produção de medicamentos não só no Brasil mas também para o mercado internacional.

Acredita-se também que existam participações de pesquisadores brasileiros na biopirataria com promessas de citações em determinados trabalhos.

Os principais países que solicitam a fauna brasileira e de outros países subdesenvolvidos neste comércio são a Alemanha, Portugal, Holanda, Bélgica, Itália, Suíça, França, Reino Unido, Espanha, Singapura, Hong Kong, Japão, Filipinas, Estados Unidos e Canadá.

Obs.: Essa ordem é aleatória não significa que essa sequência seja de Países que mais solicitam para os que menos encomendam.

Nas regiões Nordeste, Centro-Oeste e Norte do Brasil de acordo com o mapa 1 estão localizados os Estados que mais decorrem da retirada de fauna e encaminham para algumas localidades do Nordeste e para as regiões Sul e Sudeste.

Mapa 1: Rotas do tráfico de animais silvestres no Brasil.

Fonte: IBAMA, [s.d.].

Na região sudeste como o mercado de venda e entrega é mais forte segue uma tabela que nos apresenta os principais Estados e cidades que contribui para esse comércio.

Tabela 1: Cidades brasileiras que abastecem o comércio proibido de animais silvestres em São Paulo e Rio de Janeiro.

Fonte: Adaptado Rocha 1995 apud Magalhães, 2002.

De acordo com Destro e colaboradores (2012) os Estados que realizam esses crimes ambientais para movimentação do comércio ilegal internacional são os próximos as fronteiras como os das regiões Centro-Oeste, Sul e Norte. Mas outros Estados também contribuem. A seguir o mapa 2 mostra os principais locais de venda, captura e saída de animais silvestres do País.

Mapa 2: Venda, captura e saída de animais silvestres traficados no Brasil.

Fonte: Adaptado de Pereira 2002 apud Magalhães, 2002.

O que incentiva esse comércio?

O que mais motiva os traficantes a permanecerem nesse ramo mesmo sabendo o risco que correm é a grande quantidade dinheiro que esse comércio movimenta e infelizmente a grande procura. Além disso as penas não são efetivas. Quem for pego traficando Animal Silvestre pode pegar até um ano de prisão e multa que varia de R$ 500,00 até R$ 5.000,00 dependendo da quantidade de animais apreendidos, espécie ameaçada, exótica ou comum. Porém são inúmeros os relatos de agentes do Ibama que apreendem esses animais, e quando vão para a delegacia o traficante sai de lá antes deles, pois a lei não é dura o suficiente.

Quando o Ibama apreende, a estratégia é pegar todos os animais, gaiola, armas e também todo o dinheiro e ração, para que impossibilite o traficante de fazer novamente, porém sabemos bem que isso até atrasa eles, mas eles logo dão um jeito de conseguir mais dinheiro e mais animais.

Os animais traficados são transportados nas piores condições que se possa imaginar. Geralmente são escondidos em tubos de PVC colocados no fundo de malas ou caixotes, sem ventilação, em meia-calças enroladas em partes do corpo, em garrafas pets, e até mesmo já foi encontrado pelo IBAMA PI macaco-prego dentro  de garrafa térmica, eles ficam vários dias sem comer e sem beber.

Devido a essas condições de transporte: estima se que de cada 10 animais capturados, nove morrem no caminho e um chega às mãos dos compradores.

Figura 1: Tubos de PVC para transporte de aves principalmente papagaios. Fonte: Adaptado de RENCTAS, 2002 apud Magalhães, 2002.
Figura 2: Transporte de cobras dentro de meia-calças e amarradas ao corpo dos fornecedores. Fonte: Adaptado de RENCTAS, 2001 apud Magalhães, 2002.

Os que fazem a captura de algumas aves acabam maltratando mais ainda esses animais para tornar uma espécie “parecida” com outra que tenha maior valor, ou seja, tentam enganar os fornecedores.

Figura 3: Jandaia tendo a cabeça e bico pintados para se parecer com o papagaio-da-cara-roxa. Fonte: Adaptado de RENCTAS, 2002 apud Magalhães, 2002.
Figura 4: Ave em garrafa pet. Fonte: NetVet News, [s.d.].
Figura 5: Combate do MMA/ICMBio de tartarugas-da-amazônia. Fonte: MMA/ICMBio, 2017.

Os traficantes mutilam os animais e fazem perversidades com eles, costumam rodar os micos pelo rabo para que eles fiquem tontos e passem ao comprador a imagem de que são mansos. Muitos cegam os pássaros, cortam asas, arrancam dentes e serram garras fazem isso para que tornem menos perigosos. Os animais mais traficados atualmente no Brasil são as aves.

Vários animais estão na lista de ameaçados de extinção e em situações de grande vulnerabilidade. O Ministério do Meio Ambiente atualizou a lista neste ano informando a situação atual dos animais e das plantas. De acordo com a tabela a seguir 5 espécies entraram na lista de animais em extinção.

Infelizmente a lista é grande e não ficará aceitável toda a sua extensão em sua leitura, então confira na íntegra através do link e veja a lista do MMA/ICMBio de 2017 CLICANDO AQUI.

Tabela 2: Lista do MMA/ICMBio de 2017 com animais apresentando EX (extinto) e RE (Regionalmente extinto).

Fonte: MMA/ICMBio, 2017.

A presença do tráfico de animais silvestres geram sérias consequências para o País em que ela possui e as pessoas envolvidas, são classificadas em três ramos: a sanitária, a econômica/social e a ecológico.

  • Sanitária: Como os animais são vendidos de forma ilegal, não existe uma fiscalização sanitária e a possibilidade de transmissão de doenças para os humanos é muito grande.
  • Econômica/Social: Como é um ramo que envolve muito dinheiro de forma ilegal, não existe o retorno aos cofres públicos que por sua vez podem fazer render melhorias para seu País e região.
  • Ecológico: A captura de animais da natureza aceleram os processos de extinção e perda de genética que renderia a existencia de espécies.

O combate aos crimes são realizados pelo IBAMA e ICMBio. Estes órgãos tem parcerias com policiais militares ambientais aumentando assim o número de forças envolvidas nesse combate, eles conseguem reprimir os crimes além de realizar aplicação de multa por animal apreendido.

O principal desafio enfrentado por esses órgãos são os diversos destinos que sucedem do tráfico de animais silvestres. O Estado de Minas Gerais é o que apresenta a maior quantidade de multas por esse delito.

Leia o post “Tráfico de animais silvestres, o que fazer?” e saiba como denunciar.

Os planos de ação são importantes pois identificam as ameaças da biodiversidade existente e com isso criam gestões e propriedades de reverter os dados alarmantes de perda de espécies. No Brasil existem planos de ação nacionais para a conservação das espécies ameaçadas de extinção ou do patrimônio espeleológico (PANS) que tem como função usar a experiência das pessoas envolvidas para que a partir daí, possa se ter ações potencializadas de conservação de espécies e ambientes. A meta do ICMBio é que tenha planos de ação para todas as espécies ameaçadas de extinção em 2018.

Os centros de reabilitação de animais silvestres (CETAS) são responsáveis atualmente por receber os animais apreendidos e realizar os cuidados com os animais para sua recuperação, adaptação e retorno a natureza.

O que fazer para combater o tráfico de animais?

De acordo com Destro e colaboradores (2012) os objetivos específicos para esse combate são:

– Avaliações históricas do desenvolvimento da fiscalização brasileira relativa à fauna;

– Mapeamento dos  Estados brasileiros onde há  grandes  esforços para o  combate  ao  tráfico de vida silvestre, bem como listar as espécies mais apreendidas;

– Avaliação das principais formas de

– Recebimento e destinação dos animais silvestres nos centros de triagem;

– Listagem das principais perspectivas e recomendações para as ações de combate ao  tráfico de animais silvestres no Brasil.

Mas o que temos a ver com isso?

Do mesmo jeito que os animais silvestres precisam da natureza nós também precisamos. É dela que além de alimento, vem a matéria prima que usamos, os recursos para produção de medicamentos, o equilíbrio tanto dos fenômenos ocorrentes no mar, no céu e na terra, ou seja, ela é de extrema importância para a nossa sobrevivência, pois se permitimos que atos assim aconteçam estamos sendo coniventes com o comprometimento do desequilíbrio da natureza e seremos gravemente afetados por isso.

Se continuarmos assim, também entraremos em extinção!

Esse é um assunto muito abrangente, mas espero ter ajudado a você querido leitor, ter uma visão geral do que é verdadeiramente o tráfico de animais silvestres e o quanto ele contribui para a destruição do nosso meio ambiente. Inté!


Referências:

CULTURA MIX . Venda De Animais No Brasil: Tráfico De Espécies Silvestres. 2012. Disponível em: <http://meioambiente.culturamix.com/ecologia/venda-de-animais-no-brasil-trafico-de-especies-silvestres> Acesso em: 20 nov. 2017.

MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Atualização das lista de espécies ameaçadas. <http://www.mma.gov.br/informma/itemlist/category/166-atualizacao-das-listas-de-especies-ameacadas > Acesso em: 17 nov. 2017.

WWF BRASIL. O que é um animal silvestre? Disponível em: <https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/questoes_ambientais/animais_silvestres/>. Acesso em: 17 nov. 2017.

MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Tráfico de animais contribui para extinção de espécies. Disponível em: <http://www.brasil.gov.br/meio-ambiente/2014/07/trafico-de-animais-contribui-para-extincao-de-especies>. Acesso em: 17 nov. 2017.

Sobre o Autor

Thaís Teixeira

Sou Bióloga Bacharela e curso Ciências Biológicas Licenciatura. Escrever para o Biologia para Biólogos foi uma realização de um dos sonhos que tinha. O poder expressar, passar o conhecimento e aprender tanto com os outros escritores e com os leitores não tem preço. Espero atender e ajuda-los com os conteúdos postados. Gratidão! Inté.